Hoje terminei o trabalho mais cedo e andava aqui a vaguear pela net á procura de noticias, quando me lembrei deste meu blog.
Estive precisamente um ano sem aqui vir, um ano sem escrever.
E hesitei em escrever de novo... tenho receio de ao estar a falar sobre isto, que o panico seja uma constante na minha vida novamente, mas vendo bem, ele é e sempre foi uma constante na minha vida.
Neste momento agradeço a Deus a fase boa pela qual estou a passar, a força que Ele me deu para enfrentar o medo de frente, e olha-lo friamente nos olhos dizendo-lhe que não me vai vencer.
Hoje consigo fazer uma vida relativamente normal: estou a trabalhar, faço as minhas compras, vou buscar as filhotas á escola, e tenho alturas do meu dia em que até me esqueço que sofro do transtorno do pânico.
Tenho coisas que ainda me geram ansiedade, continuo a não estar muito confortável quando estou sozinha, prefiro a companhia das minhas filhas ou marido.
Pois, marido que entretanto voltou e estamos juntos e bem até hoje.
Vistas as coisas de longe, agora consigo perceber que não era fácil viver comigo naquela altura, mas também não deixo de sentir uma pequena mágoa por ele me ter deixado sozinha no momento em que mais precisava do apoio dele.
Mas o que lá vai lá vai e agora é seguir em frente com os olhos posto no futuro... risonho ansieo eu.
Até ao proximos post.
Espero que mais breve do que os anteriores.
Joana Sem Medo
O dia-a-dia de uma "Joana" que convive com o Distúrbio do Pânico e Ansiedade, contado na primeira pessoa e o mais fielmente possivel. Benvindos ao meu blog.
quinta-feira, 15 de março de 2012
quarta-feira, 9 de março de 2011
DIA 5 (muitos dias depois do ultimo post)
Há tanto para contar...
Tanta coisa já mudou e tantas outras continuam iguais.
Após o ultimo post publicado eu passei talvez aquela que foi a pior fase na minha vida.
Conforme vos contei, aquele ataque de panico despoletou um crescendo de coisas más que tomaram conta da minha vida durante aproximadamente 4/5 meses.
Após aquele ataque de panico, eu deixei de conseguir ir para o trabalho, deixei de conseguir sair de casa, e só com muita dificuldade é que conseguia estar sozinha... tinha sempre que ter a companhia de alguém para me sentir minimamente "segura".
Voltaram as consultas no Centro de Saude com a minha médica a intupir-me de antidepressivos (que nunca tomei), voltaram as discussões me casa com o marido que nunca compreendeu este meu estado, e principalmente custava-lhe a total disponibilidade que tinha quer ter para comigo... o facto de após o jantar não poder ir tomar um café, de no Sábado de manha não poder ir ao futebol... dizia que estava "sufocado" pelas consequencias do meu estado... tão sufocado que após tantas e tantas discussões acabou por sair de casa... e eu fiquei da pior forma e a que mais temia: sozinha.
Passei mal... muito mal.
Sentia-me a pior pessoa do mundo, sentia que nunca iria encontrar ninguém que me quisesse porque me sentia uma aberração diferente de todas as outras pessoas, e que ninguém iria ter paciencia para me aturar.
Os dias passavam e a sensação apenas piorava...
Até que, decidi parar de ter pena de mim propria!
Até que comecei a ganhar coragem.
E essa coragaem surgia de forma galopante em mim, vinda sabia lá eu de onde.
Acredito que hoje que quando estamos no fundo do poço e único caminho é mesmo a subida... e foi por esse caminho que eu escolhi ir.
Comecei a trabalhar novamente.
Comecei a sentir confiança em mim e a controlar melhor os ataques de panico.
No primeiro dia em que voltei ao trabalho, quando estava a estacionar o carro para entrar, chorei, mas esta vez de felicidade por ter conseguido ultrapassar uma barreira que á meses atrás me parecia intransponível.
Comecei a acreditar que os milagres existem e que com força de facto conseguimos ultrapassar muitos obstáculos.
O resto, conto no proximo post ;-)
Beijos.
Tanta coisa já mudou e tantas outras continuam iguais.
Após o ultimo post publicado eu passei talvez aquela que foi a pior fase na minha vida.
Conforme vos contei, aquele ataque de panico despoletou um crescendo de coisas más que tomaram conta da minha vida durante aproximadamente 4/5 meses.
Após aquele ataque de panico, eu deixei de conseguir ir para o trabalho, deixei de conseguir sair de casa, e só com muita dificuldade é que conseguia estar sozinha... tinha sempre que ter a companhia de alguém para me sentir minimamente "segura".
Voltaram as consultas no Centro de Saude com a minha médica a intupir-me de antidepressivos (que nunca tomei), voltaram as discussões me casa com o marido que nunca compreendeu este meu estado, e principalmente custava-lhe a total disponibilidade que tinha quer ter para comigo... o facto de após o jantar não poder ir tomar um café, de no Sábado de manha não poder ir ao futebol... dizia que estava "sufocado" pelas consequencias do meu estado... tão sufocado que após tantas e tantas discussões acabou por sair de casa... e eu fiquei da pior forma e a que mais temia: sozinha.
Passei mal... muito mal.
Sentia-me a pior pessoa do mundo, sentia que nunca iria encontrar ninguém que me quisesse porque me sentia uma aberração diferente de todas as outras pessoas, e que ninguém iria ter paciencia para me aturar.
Os dias passavam e a sensação apenas piorava...
Até que, decidi parar de ter pena de mim propria!
Até que comecei a ganhar coragem.
E essa coragaem surgia de forma galopante em mim, vinda sabia lá eu de onde.
Acredito que hoje que quando estamos no fundo do poço e único caminho é mesmo a subida... e foi por esse caminho que eu escolhi ir.
Comecei a trabalhar novamente.
Comecei a sentir confiança em mim e a controlar melhor os ataques de panico.
No primeiro dia em que voltei ao trabalho, quando estava a estacionar o carro para entrar, chorei, mas esta vez de felicidade por ter conseguido ultrapassar uma barreira que á meses atrás me parecia intransponível.
Comecei a acreditar que os milagres existem e que com força de facto conseguimos ultrapassar muitos obstáculos.
O resto, conto no proximo post ;-)
Beijos.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Dia 4
Hoje estou de folga.
De manha as minhas meninas quiseram tomar o pequeno almoço à confeitaria e lá fomos as 3.
Tomamos o pequeno almoço, depois fomos comprar fruta e legumes, e por fim fomos ao supermercado comprar leite e iogurtes.
A manha estava a correr bem, sem sinal de ansiedade.
Assim como os dias anteriores.
Tinha conseguido ir trabalhar sem problemas, os dias tinha sido calmos, sem crises de pânico e eu andava sinceramente confiante e feliz, com a sensação de que conseguia respirar livremente sem aquele peso de "quando será a proxima vez..."
Mas á vinda para casa do supermercado, iamos no carro e eu sinto a crise a começar dentro de mim, os mesmos sintomas se sempre, o mesmo desespero a mesma impotencia contra aquela sensação que me consome todos os dias mais um pedacinho de mim.
Liguei imediatmente ao meu marido mas quando ele me diz que está longe de casa e que consegue sair do sitio onde está, o pânico aumenta.
Estava no carro com as minhas filhas, com a crise a tomar conta de mim e eu sem saber o que fazer porque mesmo após anos e anos a conviver com esta maldita doença, no pico do ataque de panico eu ainda fico sem saber o que fazer, completamente dominada pelo medo.
Tive que voltar para trás, e começar em direcção a casa dos meus pais, porque a minha mae estava em casa e eu precisava urgentemente de estar com alguém que me ajudasse.
Cheguei a casa dos meus pais.
Quando sai do carro quase nem conseguia andar, tremia por todo o lado.
Subi, acalmei-me e comecei a ficar melhor.
Quando tenho estas crises mais fortes, começam logo os sintomas tipicos "agora já não vou ser capaz de andar sozinha na rua outra ver" ou "agora já não vou conseguir ir trabalhar" e tantos, tantos outros pensamentos que me fazem sentir diferente de todas as outras pessoas, que me fazem sentir menos e inferior e sem valor, uma pessoa que só dá trabalho aos outros porque está sempre com medo de sentir medo...
Estou cansada hoje...
Hoje sinto-me com o peito a rebentar de desespero e cansaço desta vida de panico...
Tento concentrar-me nos momentos bons, nos dias bons... mas de repente vem um dia destes e deita tudo por água abaixo...
Hoje foi um desses dias...
sábado, 7 de agosto de 2010
Dia 2
Ida ao hospital com a filhota mais nova.
A ida ao hospital só por si já é complicada para mim porque me sinto tão desconfortável que imeditamente essa situação é uma forte potenciadora de um ataque de pânico.
Tenho muita dificuldade em estar sozinha em qualquer sitio, quando digo sozinha leia-se sem alguém que me é familiar proximo de mim, um amigo, ou familia...
Mas a situação exigia que estivesse forte e com o auto-controlo no máximo, a minha filha precisava de mim lá com ela.
O meu marido ainda disse "eu vou com ela não te preocupes", mas eu não quero ser aquela mãe que por medo de ter um ataque de pânico não acompanha as filhas ao hospital, ou à escola, ou ao médico...
Recuso-me a ser essa pessoa, as minhas filhas merecem o melhor, e o melhor de mim.
Lá fui.
O meu marido fez-me a promessa que estaria lá fora á nossa espera e que não ia embora, para eu ir tranquila que ele estava lá.
Isso deu-me forças e consegui ir com a minha princesa ás urgências, tratar de tudo e vir embora com a sensação de "mais uma pequena batalha ganha".
A minha vida é isto.
Pequenas batalhas diárias... umas que consigo vencer, outras nem por isso.
Uma simples ida ao Supermercado pode ser uma vitória para mim.
Por causa do Sindrome do Pânico desenvolvi também Agorafobia, que é o medo de espaços grandes, cheios de gente... a minha casa é o meu lugar seguro, apenas lá me sinto perfeitamente bem, livre de medo.
Não tomo qualquer medicação, nunca tomei.
Foi uma escolha que fiz.
Incompreensivel para muitos porque acham que a medicação é indispensável, mas enquanto conseguir lidar com isto à minha maneira, assim o farei.
Tomo apenas em SOS o Victan que é o meu melhor amigo em situações de crise, fora isso, não tomo mais nada.
Ninguém nunca disse que a vida era fácil pois não?
Um beijo.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Dia 1
O dia 1.
O primeiro post deste que será o blog onde vou contar aquilo com que me deparo diariamente.
Para que percebam, a intensão de criar este blog veio sendo amadurecida com o tempo e achei que esta era a altura.
As pessoas que tal como eu sofrem do Sindrome do Pânico e Ansiedade passam por varias fazes na doença, e só quando estamos perfeitamente conscientes da nossa doença e da nossa condição e a aceitamos como parte integrante de nós, apenas aí é que conseguimos expor sentimentos de forma clara e falar abertamente sobre tudo o que envolve o SPA.
Eu demorei muito tempo até chegar aqui, demorei muitos anos.
Mas cá estou eu, convivendo com o Medo diariamente da forma mais natural que eu consigo.
Para muitos, isto que sinto é completamente incompreensível... e é compreensíevl que assim seja.
Porque podem até voçês estarem a perguntarem-se "mas viver com Medo??? mas medo de quê?"
A resposta de facto, sem vos querer desiludir é que: não sei.
É uma sensação de Medo que nos incapacita psicológicamente e fisicamente, porque os sintomas fisicos são bastantes pertubadores.
O SPA destroi vidas, profissões, familias... é a doença dos "malucos" como muitos acham.
Não sou "maluca"... de todo... tenho infezmente uma doença que é totalmente desvalorizada pela maioria das pessoas que não a entendem porque nunca passaram por ela.
Posso no entanto dizer-vos que se me conhecessem hoje, neste momento, nunca iriam sequer adivinhar que padeço de tal doença porque fisicamente estou bem, com bom "ar", sorriso nos lábios e olhos brilhantes.
Essa é uma das coisas que nos fazem ser mal intrepertados porque quando alguém parte um braço, todos conseguem ver o gesso, quando alguém se corta, todos conseguem ver o golpe na pele e imediatamente associam isso ao sofrimento em que aquela pessoa deve estar.
O meu sofrimento é psicológico... ninguém o vê, e eu tentei sempre que ninguém o visse.
Isso leva-me a desvendar o porquê da criação deste Blog: eu nunca quis que ninguém visse a minha doença, nunca quis falar muito sobre isso, nunca quis "aborrecer" os outros com isso...
Assim sendo achei que Blog seria a melhor opção: aqui posso contar tudo.
E aqui quero contar tudo.
A todos os que por aqui passarem desde já o meu muito obrigada pelo tempo que dispenderem para me vir ler.
O meu endereço de mail está ao vosso dispor.
Um beijo.
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